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sábado, 31 de julho de 2010

Bourdieu propõe a concepção de agente para superar a noção de sujeito

Numa etapa anterior ao estruturalismo, o sujeito era visto como atuante dentro do sistema interativo e cognitivo existente. A história era uma sucessão de acontecimentos afim de dar sentido a uma determinada realidade, ou seja, numa contextualização do indivíduo, numa concepção diacrônica. O estruturalismo rompe com o conceito do sujeito, fazendo desaparecer o agente histórico. É a negação do sujeito como atuante na estrutura, pois para os estruturalistas, a própria estrutura desempenha esse papel. A história não é mais movida por ondas, ela é movida por estruturas. No estruturalismo não se constroem mitos, mas sim ciência. A análise sincrônica estruturalista acaba abolindo a história em pró da estrutura. Para transpor o estruturalismo, Bourdieu faz uso do conceito de agente. Ele rompe com a negação do sujeito inserindo a idéia de que o homem deve ser entendido com agente. Na filosofia do sujeito, este é concebido como um ser estático, fora do jogo de interesses do campo. A superação de Bourdieu a esta conceituação da filosofia do sujeito dá-se na medida em indivíduos ou coletividades, pessoas, classes, ou instituições, disputam entre si alguma coisa de interesse comum. Bourdieu trabalha com agentes e não com sujeitos, já que agente é o ser que age e luta dentro do campo de interesses. No pós-estruturalismo surge a concepção da história estrutural, onde quem muda as estruturas somos nós mesmos, o agente social, através do embate interno e externo dos campos. Para Bourdieu o conceito de interesse é central à compreensão da realidade. Bourdieu propõe uma análise relacional, dinâmica, e não estática da filosofia do sujeito. Bourdieu substitui a luta de classes, motor da história em Marx, pala luta de classificações, motor da lógica do espaço social. O processo dialético ocorre na sincronia e na invariância das estratificações dos diferentes campos e do jogo de colocações que eles permitem.

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