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terça-feira, 2 de novembro de 2010

O clube do imperador (Emperor's club), de Michael Hoffman, EUA, 2002

Emperor's club, de Michael Hoffman, é um bom filme, com conteúdo interessante para ser ministrado em aulas de formação de professores. O filme ambientando em um colégio interno para rapazes conta a história de um professor chamado Hundert (Kevin Kline) que organiza o “Clube do Imperador”, uma competição sobre conhecimentos em história greco-romana. Em suas aulas, o mestre tenta moldar a personalidade dos alunos a partir de exemplos virtuosos de importantes personagens históricos. Porém, o professor dedicado vê sua crença nos princípios éticos e morais da educação abalados quando se depara com um aluno arrogante e trapaceiro, Sedgewick Bell (Emili Hirsch), filho de um senador milionário e sem escrúpulos. O professor se coloca o desafio de recuperar o garoto e acaba, desonestamente, forjando uma classificação no concurso (Clube do Imperador), desviando-se de seu caráter reto para tentar aproximar-se do garoto e passar-lhe seus conceitos morais. Será possível aos professores através de suas atitudes modificar o futuro de seus alunos? Até que ponto o convívio diário com os professores pode influenciar o caráter e as atitudes dos estudantes? Percebendo, porém, que apesar de alguns poucos avanços não consegue mudar o caráter do aluno, o professor entra em um conflito interno sobre o que são vitórias e derrotas. Esse conflito se torna mais profundo quando se decepciona, ao perceber que, mesmo entre os mestres da escola, a esperteza se sobrepõe tanto a retidão de caráter quanto a honestidade. Quando chega sua chance de galgar o cargo máximo, é preterido como diretor. A escolha recai sobre alguém bem mais jovem que ele e que tinha como principal habilidade conseguir dinheiro para sustentar o colégio. O roteiro do filme permite perceber que o caráter e a personalidade das pessoas são capitais sociais forjados na trajetória de vida dos sujeitos e que, no decorrer da vida, os meios podem interferir, porém, nem sempre podemos garantir que se possa atingir aquilo a que almejamos com nossas convicções pedagógicas.

sábado, 5 de junho de 2010

A história das coisas, de Annie Leonard

Da extração e produção até a venda, consumo e descarte, todos os produtos em nossa vida afetam comunidades em diversos países, a maior parte delas longe de nossos olhos. História das Coisas é um documentário de 20 minutos, direto, passo a passo, baseado nos subterrâneos de nossos padrões de consumo. História das Coisas revela as conexões entre diversos problemas ambientais e sociais, e é um alerta pela urgência em criarmos um mundo mais sustentável e justo.

sábado, 22 de maio de 2010

"Ilha das flores", Jorge Furtado, Brasil, 1989.

Ilha das Flores é um filme brasileiro de curta-metragem (11min.), do gênero documentário, escrito e dirigido pelo cineasta Jorge Furtado, em 1989, com produção da Casa de Cinema de Porto Alegre e narrado pelo ator Paulo José. De forma ácida e com uma linguagem elaborada, se valendo de conceitos e jogos de palavras, o curta mostra como a economia pode gerar relações desiguais entre os seres humanos no contexto das sociedades modernas e desenvolvidas. É ao mesmo tempo um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo. Acompanhando a trajetória de um simples tomate, desde a plantação até ser jogado fora, o curta escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem na realidade. A miséria é o tópico central do premiadíssimo trabalho do diretor Jorge Furtado. A utilização de um título que contradiz a trama desenvolvida ao longo dos 11 minutos de duração do curta foi uma das grandes idéias apresentadas. A exposição didática das idéias, de forma encadeada, amarrada às informações, na medida em que elas aparecem, constituem o eixo em torno do qual os espectadores acabam envolvidos.

Assista abaixo o filme na integra:

"Ou tudo ou nada", Grã-Bretanha, 1997, Peter Cattaneo

Ou Tudo ou Nada (The Full Monty, título original) é uma comédia britânica dirigida por Peter Cattaneo, em 1997. O roteiro foi escrito por Simon Beaufoy, tendo como actores principais Robert Carlyle (Gaz), Mark Addy (David aka Dave), William Snape (Nathan), Steve Huison (Lomper), Tom Wilkinson (Gerald), Paul Barber (Horse), Hugo Speer (Guy). A história decorre em Sheffield, Inglaterra, cidade outrora conhecida como Cidade do aço ("City of Steel"), pátria de uma massiva indústria de metal o que possibilitou a criação de um grande número de empregos. Desde os anos 1990, sua indústria está em declínio e as fábricas fecharam criando um grande número de desempregados e famílias em desespero. É neste cenário que um grupo de trabalhadores desempregados resolve montar um show de striptease para as mulheres, a fim de conseguir algum dinheiro. No entanto eles não são aquilo que se pode chamar de "modelos de beleza" que qualquer mulher pagaria para ver despir-se. Apesar de tudo e, como não têm nada a perder, resolvem tentar. Tal como o título indica eles têm de fazer um striptease completo num “clube de mulheres”. É filme trabalha muito bem a crise de algumas indústrias e as suas consequências sociais, especialmente no que se refere àqueles que perdem o emprego. É uma comédia com tom trágico, mas conclusão eloquente e esperançosa.

"Billy Elliot", Grã-Bretanha, 2000, Stephen Daldry.

Billy Elliot (Jamie Bell) um garoto de 11 anos que vive numa pequena cidade da Inglaterra, onde o principal meio de sustento são as minas da cidade. Obrigado pelo pai a treinar boxe, Billy fica fascinado com a magia do balé, ao qual tem contato através de aulas de dança clássica que são realizadas na mesma academia onde pratica boxe. Incentivado pela professora de balé (Julie Walters), que vê em Billy um talento nato para a dança, ele resolve então pendurar as luvas de boxe e se dedicar de corpo e alma dança, mesmo tendo que enfrentar a contrariedade de seu irmão e seu pai. Mrs. Wilkinson, a professora de balé, vê em Billy um talento pronto para ser trabalhado e passa a dar aulas escondido da família dele, contrária a uma atividade tão feminina, e o incentiva a ir fundo na dança. E ele vai, mesmo sem saber porquê, a não ser que a dança o envolve com uma sensação que nunca havia experimentado e que supera todas as dores e o cansaço dos ensaios. A história se passa nos anos 80 de Margareth Tatcher. Sem fazer crítica social profunda, o filme mostra, até de forma bem humorada, o empobrecimento da classe média durante uma longa greve dos mineiros de carvão, profissão do pai e do irmão de Billy e que seria a sua, se não os enfrentasse com garra para poder fazer o que sabia e alçar vôos bem mais altos que os previstos para sua vida. O pano de fundo do enredo é a greve de mineiros da época do governo Tatcher, que fez estragos na dama de ferro da Grã-Bretanha. Esse contexto é mostrado ligeiramente, pois a história é de Elliot, o bailarino. Porém, chama a atenção o enfoque sobre o sensível choque cultural da família tradicional (o pai e o irmão, que são mineiros e estão sofrendo com a crise) com as aspirações do jovem Elliot. A descoberta da sexualidade, num filme com pré-adolescentes, poderia ter resvalado para algo entre vulgar ou explícito, mas o roteirista soube trabalhar bem esse ponto, discutindo homossexualidade e preconceito, casamento, sexo e desejo sem nenhuma apelação.

"Brazil (o Filme)", Grã-Bretanha, 1985, Terry Gillian.

Brazil - O Filme é uma comédia britânica produzida por Terry Gilliam, em 1985. Caracteriza-se como uma comédia distópica promovida pelo grupo Monty Python. Lançado em 20 de Fevereiro de 1985, foi escrito por Terry Gilliam, Charles McKeown e Tom Stoppard, com atuação de Jonathan Pryce, Kim Greist, Michael Palin, Katherine Helmond, Bob Hoskins, Ian Holm e Robert De Niro. O título do filme se refere em grande parte à sua característica trilha sonora, a música Aquarela do Brasil, que possui papel de destaque ao longo da trama. O ambiente no qual se desenrola a trama do filme costuma ser melhor chamado pelos críticos como uma distopia (um neologismo que é resultado de uma brincadeira com a palavra "utopia", ou seja, seria aquele modelo com ideal de perfeição, mas que no fim se mostra imperfeito. O filme continua uma linha de produções (literárias e cinematográficas) que exploram as possibilidades de uma suposta sociedade futura formada pela perpetuação dos valores e dos costumes da modernidade. O enredo retrata uma sociedade burocrática e tecnocrática. O herói (ou anti-herói) do filme, Sam Lowry (Jonathan Pryce), vive numa sociedade opressiva do futuro, recorrendo frequentemente a formas de escapismo, representado por sonhos de um paraíso distante. Questiona-se se o Brasil seria o Brazil do filme. No país do filme se desenvolveu uma estranha sociedade em que a burocracia estatal é ineficiente e as classes privilegiadas desfrutam de benefícios de uma modernidade corrompida, por exemplo, a quantidade de cirurgias plásticas feitas pelas mulheres idosas. Paralelamente, existe uma sociedade marginal, pobre e oprimida. A personagem principal, um jovem alienado que, conseguindo um emprego burocrático por indicação de uma influente mãe que mal o conhece, acaba se apaixonando por uma guerrilheira. Em meio às constantes festas promovidas pela elite, bombas estouram, causando uma desproporcional e autoritária reação do governo, que prende e tortura. Sam Lowry perpassa pelos dois polos opostos da sociedade de Brazil, totalmente perdido em meio à burocracia inoperante e ordens sem nexo, enviadas através de obsoletos computadores e máquinas de estranhos formatos, dando a entender que são sempre de segunda-mão. Encontrando-se com a terrorista Jill (Kim Greist), que via em sonhos confusos, ele passa de ignorada peça do sistema a alvo de perseguições.

"Metrópolis", Alemanha, 1923, Fritz Lang.

Metrópolis é um filme alemão de ficção científica produzido pelo cineasta austríaco Fritz Lang, em 1927. Foi, à época, a mais cara produção até então filmada na Europa, e é considerado um expoentes do expressionismo alemão. O roteiro, baseado em romance de Thea von Harbou, foi escrito por ela, em parceria com Lang. O enredo é ambientado no futuro, numa grande cidade governada autocraticamente por um poderoso empresário. Os seus colaboradores constituem a classe privilegiada, vivendo num jardim idílico. Os trabalhadores, ao contrário, são escravizados pelas máquinas, e condenados a viver e trabalhar em galerias no subsolo. Em meio à miséria dos operários, uma jovem, Maria, destaca-se, exortando os trabalhadores a se organizarem para reivindicar seus direitos através de um escolhido que virá para os representar. Através de cenas de forte expressão visual, com o recurso a efeitos especiais, algumas se tornaram clássicas, como a panorâmica da cidade com os seus veículos voadores e passagens suspensas. À época, o filme teria impressionado Hitler que teria convidando Lang para produzir filmes para o partido nazista. Enquanto Thea Von Harbou, sua esposa à época, mergulhou no projeto, Lang evadiu-se para Paris, onde chegou a produzir filmes de conteúdo antinazista, viajando posteriormente para os Estados Unidos, onde faleceu. A obra demonstra uma preocupação crítica com a mecanização da vida industrial nos grandes centros urbanos, questionando a importância do sentimento humano, perdido com o progresso técnico. Como pano de fundo, a valorização da cultura, expressa no filme através da tecnologia e, principalmente, da arquitetura.
As informações acima são da enciclopédia virtual Wikipedia.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A crítica social de Charles Chaplin, com o filme Tempos Modernos, de 1936.

Modern Times (Tempos Modernos, em português) é um filme do cineasta britânico Charles Chaplin lançado em 1936 em que o seu famoso personagem "O Vagabundo" (The Tramp) tenta sobreviver em meio ao mundo moderno e industrializado. O filme tem um importante apelo social, enfatizando as linhas de produção e as conseqüências dessa forma de organização sobre o trabalho. Trata-se do último filme mudo de Chaplin, que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e à fome. A figura central do filme é Carlitos, o personagem clássico de Chaplin, que ao conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se em líder grevista conhecendo uma jovem, por quem se apaixona. O filme focaliza a vida do na sociedade industrial caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. É uma crítica à "modernidade" e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias "subversivas".